quinta-feira, 2 de abril de 2020

O tempo passa e você (também)


O tempo passa e você continua

Continua sendo o nome que me vem à cabeça quando penso no futuro
Continua sendo o dono dos cachos os quais quero percorrer com meus dedos
O sorriso que se abre de manhã quando lhe levo o café na cama (ao meio dia)
A risada solta cantando e tocando entre amigos, enquanto vejo se o bolo está no ponto
A razão de eu acreditar no amor romântico, pensando nas cartas que trocamos há tanto tempo
Continua sendo a ilusão que me faz caminhar

Se ainda vai ser qualquer coisa real, eu não sei
Eu nem espero mais nada
Mas eu gosto da sensação de ter uma história complicada
De te amar em segredo e te contar de vez em quando
Só pra te tirar dos trilhos e te fazer ficar sem graça, sem ação
Talvez seja só isso, mas e se não? E se for... amor?

Eu pagarei o tempo que for preciso, pra ver
Pode estar em qualquer lugar, e abraçado com qualquer pessoa
Mas só eu conheço teu coração, o som de seus pensamentos
E onde encontra paz quando se sente cansado
Eu sou o vento no seu rosto quando percorre a cidade com sua bike
E estou contigo quando fecha os olhos pra falar com Deus
Ou quando pára pra escrever – aliás, faz tempo não?!

Tudo bem se não existir mais eu e você
Porque o que foi, foi tão belo, e ainda me faz,
hoje, ter a certeza de um amanhã ainda mais belo
Tudo bem, não tem peso, e não tem pressão
Ou diminuição de qualquer parte
Tem voô livre, curioso, tem pouso e tem ninho
Se e quando você quiser, enquanto eu estiver vagando

Sou sua, mas não antes de ser minha
Sou dona da minha própria melancolia
Das idealizações que crio a cada dia
E tá tudo bem, sigo o baile
Tá tudo bem, você continua
E eu continuo também.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O amor ficou

O amor partiu
Com uma camisa de flores e botões por dentro da calça, cabelos escovados, óculos no rosto, ressaltando seus pequenos olhos azuis que contam tanta história
Depois de longos abraços e infinitos beijos de saudades

O amor veio
Veio também com uma camisa bonita por dentro da calça jeans, e uma bota preta nos pés
O amor passou os dias comentando sobre os prédios altos e a real possibilidade de haver tanta gente num lugar só
O amor não conheceu todos os meus parques favoritos, porque o amor gosta de estar em casa, e de tirar longos cochilos após o almoço
E tudo bem, o amor estava aqui
O amor compartilhou varias refeições, algumas com vinho, outras com cerveja
Comeu o franguinho do senhor da barraca da esquina, do qual eu faço propaganda desde que me mudei pra cá
O amor soube onde trabalho, onde estudo, e os lugares que frequento
O amor se sentiu em casa, preparou o chimarrão pela manhã e fez perguntas sobre os vizinhos
O amor permitiu que eu acariciasse seu rosto enquanto tirava os pelinhos que estavam fora do lugar em seu sobrancelha
Estes já haviam acabado faz tempo, mas eu não o deixei perceber, precioso o momento de lhe tocar o rosto com tanto carinho
O amor assistiu "ANNE WITH AN E" deitado no sofá do lado, e disse que "até que gostou" da série
O amor passeou com a Solara, brincou a beça e até deu-lhe uns tapas na buzanfa
O amor compartilhou um dia chuvoso em um hotel fazenda, fugindo da sauna, aprendendo a jogar sinuca, dormindo no carro (cochilo indispensável), e dando risada com o corpo molinho de caipirinha
O amor lavou meu tênis de barro, comprou remédios pra mim, que fiquei doente no seu último dia por aqui

O amor partiu
Eu vim dirigindo em calafrios literais, cheguei em casa e chorei sem parar, abraçada com a Solara, embrulhada no sofá
Deixei a luz do seu quarto acesa, pra ver se ainda sentia sua presença por ali
Tentei sentir seu cheiro na cama, mas por enquanto o nariz entupido de chorar não me permitiu

O amor veio
Trouxe uma alegria diferente, cuidado, confiança, sonhos novos, e orgulho de mim
Que bom que o amor passou por aqui
E ficou, do seu jeitinho
Deixou em segredo, no banheiro, um de seus 344 cremes corporais, aquele cujo cheiro me encanta, pra que eu não a sentisse longe
Obrigada, amor! Eu te amo!



domingo, 29 de dezembro de 2019

Como foi meu 2019

Ainda estou engolindo água da sequência de caldos que 2019 me deu. Essa é a verdade. Estou terminando esse ano sendo curada, porque toda a dor que vivi me fez ver a vida de uma perspectiva que não consigo definir de outra forma que não seja "não tenho nada a perder".
 
Comecei o ano trabalhando com o esporte que aprendi a amar, convivendo com uma família que super me acolheu desde o meu último retorno à Rondonópolis. Conquistei a oportunidade de ser coach de crossfit, personal, responsável pela área de ginástica, e estava muito feliz com tudo isso, quando apareceu a oportunidade de trabalhar com adolescentes, estimulando o protagonismo juvenil, podendo usar a arte para mudar a vida dos mesmos, aproximando-os de suas melhores versões. Foi uma decisão difícil e importante, mas resolvi mergulhar nessa nova rota, entendendo como mais próxima do que eu sonhava pra minha vida a longo prazo. Foi uma experiência totalmente nova, principalmente, por estar vivendo, pela primeira vez, o ambiente corporativo de uma grande empresa.

No início do ano eu tive, enfim, a coragem de me "casar", morar junto, e quem me conhece, sabe o tamanho desse passo pra mim. Com menos de 2 meses - não posso dizer que descobri, pois ignorei minha intuição desde o início, de que estava indo por um caminho que não era meu -, sofri a pior dor e humilhação que nunca imaginei que sentiria na vida. Colhi o que jamais plantara. Chorei nos braços do meu pai e da minha mãe como uma criança, machucada tão profundamente e acolhida por eles da mesma forma.

Como o Pai não perde o controle de nada, eu já estava planejando há um tempo o meu presente de aniversário: uma viagem com direito a tudo o que gosto de viver. Participei da Bravus Race, uma corrida de obstáculos com a qual sonhava há um bom tempo, fui à praia, conheci uma das box de crossfit que mais gosto no Brasil, vi o Cirque du Soleil e fiquei na companhia de uma família que amo muito, treinando ninja, parkour, circo, todos os dias. Estar perto de mim e de coisas que amo, me relembrou quem eu sou, o que sonhava, e onde gostaria de chegar. Foi definitivo pra tomar uma decisão segura a respeito do meu "casamento", independente, inclusive, da dor causada. Por um tempo, morei sozinha na casinha maravilhosa, com suas árvores frutíferas e seu gramado, recebendo amigos, e sendo muito feliz!

Por motivos diversos, apesar dos grandes aprendizados e amizades que fiz, decidi por sair da nova empresa, e fiquei novamente sem uma perspectiva do que faria dali pra frente. Navegando em possibilidades, encontrei um curso de formação circense, oferecido por uma companhia sensível, criativa, e maravilhosa, em Goiânia. Embarquei dessa vez, sem pensar, seguindo a voz do coração e todos os sinais divinos de que era por ali o trajeto a partir daquele momento. Me despedi de Rondonópolis pela 324ª vez, como disse uma amiga, dessa vez, com o coração partido, de deixar tantos amigos e tamanho carinho que conquistei/recebi durante o tempo que estive ali.

Goiânia está sendo uma fase dura, estou tendo que aprender a sobreviver só, emocional, financeiramente, etc. Não está sendo fácil, mas tenho crescido absurdamente. Fiz grandes amigos, aprendi a dar mortal pra trás - e inúmeros outros truques e possibilidades corporais que não me imaginava capaz -, fui acolhida por uma família de fé inigualável, e tenho vencido medos todos os dias. Foi vencendo um deles que, infelizmente, me lesionei, vivendo novamente algo que nunca imaginara. Rompi um ligamento do joelho, tive que parar de fazer o que mais amo, treinar, e, mais difícil, tive que aprender a receber mais ajuda e, muitas vezes, depender de outras pessoas - pra uma pessoa que ama ser independente, isso é de fato um grande desafio -. Foi uma frustração gigantesca, na verdade, ainda está sendo, mas, novamente, um aprendizado de igual tamanho.

Resumindo, 2019 foi um ano tipo "corredor polonês", aquela brincadeira dos tempos de escola que a galera fazia duas filas, uma de frente pra outra, e você tinha que passar no meio, tentando levar menos porrada possível. Eu levei muitas porradas, ainda sinto dor e levo algumas mágoas, pois não sou de ferro, mas sou grata por cada situação e experiência. Sei que um dia eu vou entender o valor de cada uma delas na construção da minha história. Gratidão é a palavra sempre! Pode vir, 2020, não tenho nada a perder, estou pronta pra iniciar o ano mais forte e, por incrível que pareça, com o peito aberto, na confiança de quem luta por mim e me guarda com amor inexplicável. Graças a Deus pelos ciclos!

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

(.)

Para o bem ou para o mal

Para este ou aquele, como a chuva mexe comigo
Parece existir uma relação cósmica entre a chuva, meus hormônios, meu espírito
Se sou sensível ou se sou fraca, uma coisa é certa: como me sinto conectada
Como percebo todo o funcionamento de mim mesma observando-me diariamente
Sou parte, interajo em fluxo contínuo com o cosmos
Quando o corpo pede descanso, e a alma cansa de se enganar com tantos afazeres tentando cobrir o que se quer calar
Dos olhos escorrem a vontade de gritar e correr sem parar como se pudesse alcançar o fim de tudo
O estômago reflete o vazio, enjoando desse estado, fazendo-se presente
Como se estar nesse barco há tanto tempo, de repente, cansasse
Você pensa que se acostumou, mas você só deixou de pensar
E quando você volta seus olhos para os ondas novamente, sente o enjoô de viver
O pensamento, assim como as pernas e as roupas, vão de um lado para o outro
Vestem-se e despem-se, despedem-se, se analisam, se repreendem, e no final, tudo se (...) Abraça
Como se só restasse o pó, a náusea, o cansaço e a apatia como companhias
Porque de tanto pensar, e caminhar, e tentar achar soluções, uma hora a gente desfalece
De forma bruta, furtiva e inesperada, a força se vai, o corpo perde sustentação
O último fôlego de sanidade tenta conter a desistência em vão
Entrega-se a tudo aquilo que têm se evitado e luta contra tão bravamente

Mas é certo que, com a mesma bravura, voltará a brotar no dia seguinte, como se nada lhe tivesse ocorrido
Como se não houvesse vivido toda aquela tempestade em alto mar, e se cansado de viver
(Porque viver é mesmo essa náusea e essa vontade obsessiva de se entregar ao abismo, e não o fazer)
Como se não passasse de um delírio, em um plano paralelo aos carros e à fumaça, e ao trabalho, e à loucura do cotidiano
Percebe a morte em pensamento como um respiro de viver
A chuva agora refresca-lhe a garganta, a nostalgia fazendo pairar a alma dentro de si

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

.ficou para o café


Quantas vezes eu achei que tinha encontrado o amor. E o tinha! O amor me beijou suavemente, o amor fez canções sobre mim, elogiou minha roupa, me ensinou a limpar o nariz, escreveu poesias sobre como via Deus em meus passos. Deitou na grama ao meu lado, olhando nos meus olhos, me arrebatou. O amor me inspirou e foi inspirado por minha paixão pela chuva. O amor não quis invadir uma história que não era sua, o amor me ensinou sobre rotina, e como os domingos sem planos poderiam ser os dias mais prazerosos da vida. Me ensinou a organizar as contas, e a cuidar do jardim. O amor me mostrou que de tudo eu sou capaz, posso ser o que quiser. O amor moveu o mundo e virou a cidade pra encontrar um sonho pra mim, de creme de baunilha. O amor dividia milk-shakes, enquanto ficava com a perna adormecida com todo o meu peso encima dela. O amor combinou um look peruano para arrasarmos no casamento de nossos amigos, e também quis que eu pulasse de paraquedas. O amor quis ouvir o que eu penso sobre a vida, e dividiu uma garrafa de vinho sob a luz das estrelas. O amor foi gentil, quis se apresentar para os meus pais, e até pediu a minha mão em casamento. O amor dividiu horas em ônibus, carros e aeronaves, em nossas viagens e descobertas. O amor me surpreendeu várias vezes, colocando faixas em meus olhos antes das surpresas para que eu entendesse o quanto era amada.  O amor me incluiu em seus planos, em sua família, em seu tempo, e em sua fé. O amor quis ser para sempre, outras vezes quis ser breve. O amor por tantas vezes aqui passou, deixando o cheiro suave de confusão e de esperança. Nunca se deixou pela metade, tampouco ficou mais do que podia. O amor já veio através de um olhar, e, no piscar do mesmo, se foi como brisa. O amor ficou para o café, ficou para o almoço, ficou correndo em minhas veias. Pois o amor nunca veio de fora, ele se mostrou essência minha através de outros corações. Ele despertou em mim o melhor e o pior que eu poderia ser. Mas despertou, deu força, deu vigor! Ele trouxe a mim sentido e forma, além de um otimismo bobo, que move meus olhos para cima, sem medo do que virá. O amor veio, ficou, se foi, voltou e continua aqui, a encher e esvaziar meus pulmões, permitindo-me a vida. A amanhecer em mim esse desejo de paz, de aconchego e de ação. O amor me ensina quem sou, todos os dias quando acordo. Me move a ser melhor em cada passo que dou, e tira o meu chão para que eu me lembre que não preciso ser só. O amor me fez inteira e parte de um todo no qual tenho papel fundamental. O amor faz transbordar em mim toda a vontade de que o resto do mundo se encontre, e o encontre também. O amor vem em pele e osso, vai em sorrisos e gentileza, vem em abraços, vai em expressão e poesia... O amor passa por mim, está em nós e tudo move. O amor ficou para o café, divide o tempo e olha dentro dos meus olhos.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O avesso do avexe



Se o mundo todo está do avesso, não se avexe em lutar
Se se conforma, torna mais forte o avesso e acaba por do avesso se tornar
Seja a ponta de esperança, mesmo sem nada enxergar
Pois a fé é feita dessa matéria que não podemos explicar

Não é porque o mundo todo está do avesso
Que o avesso se torna o lado certo
Tenta voltar lá no começo
E olhar nos olhos da sua criança bem de perto

Talvez ela tenha algo a dizer
De importante que você precisa lembrar
Nesses tempos de avesso ela ajuda a fortalecer
Suas ideias, pra com amor caminhar

Você não tá sozinho nessa
Logo os pontinhos de luz vai avistar
Imagina tudo esses pontinho junto
Que brilho imenso eles não podem causar?!

Eu queria continuar escrevendo
Pra te convencer a não desistir
Mas quem me olha também está contigo
Então confio e vou parar por aqui.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Sozinho, você vem?

Hoje sento só
Sinto-me bem só
E a sós escrevo sobre Ti
Sem vento, sem tempo, sem alento
O cheiro de trabalho e treino
Cheio do Sol que arde aqui pela janela
Respiro e sinto meu coração encurralado
Cansado, apertado
Clamando pra que se deixe amar
"Me deixa amar", o grito rasga o peito
Tão somente na metáfora
Enquanto o peito tão só dói
Sem ação, sem coragem

Ergo os olhos
Esperança em forma de luz e movimento
Nas folhas de um solitário coqueiro
Tão só quanto eu me sinto
Abrigo em mim todas as dores do mundo
E um viver tão profundo
Que quase não me cabe

Me acompanha quem mergulha fundo em tudo
Mas sinto romper cada fibra
Tentando segurar a mão de quem prefere o raso
De quem molha os pés e não afunda
Não ousa deixar faltar ar nos pulmões
Pra conhecer os mistérios do fundo
Do profundo de cada nós

Mergulho em mim
E agora sim, me deleito
Bato braços e pernas
E até as asas do coração se sacodem
Choro rios, e transbordo torrentes de sentimentos
Enquanto canto alto, e grito alto
E me deixo ser tocada por palavras
Eternizadas em som
De alguém que nem sequer conheci
Outro artista, profundo sofredor
Como eu

Artista que sou, não posso
Não consigo, não quero
E não vou me conformar com o raso de nada
Fui feita para o profundo
E fui tao bem ensinada a isso
Desde tao pequena
Me afogava, e não entendia nada
Mas é no profundo que encontro abrigo
Descanso e casa
Tento, em vão, mostrar-te a beleza disso
Tu que estás tão preso às coisas palpáveis
Terrenas
Fugazes

Não posso escolher a superfície
Após provar e viver a profundidade
Não posso ser rasa, e ter água nas canelas
Se todo meu ser anseia a entrega
Absoluta
Não dá pra ser metade
Depois de ter sido inteira

E por isso, então, lhe proponho
Sem julgamentos, apenas uma escolha
Tão só respire fundo,
e mergulhe comigo
Ou permaneça na superfície,
Acomodado e sozinho
Você vem?



quinta-feira, 29 de março de 2018

Memória fria

Olhei pela janela, o vidro embaçado pelo vapor da água quente caindo do chuveiro. Árvores sem folhas ao fundo, tempo fechado. De repente estava denovo debaixo de outro chuveiro quente, que se auto desligava a cada 30 segundos, com o corpo cansado e satisfeito. De repente estava eu, com os pés no riacho, ouvindo música nos fones, assistindo meus amigos ao longe. De repente atravessei uma pequena vila com criadores de vacas com sininhos no pescoço. E, mais de repente ainda, descia saltitando uma estrada longa de cascalhos, sozinha, eu e Sandy. Corajosa, destemida, completa. De repente, lancei ao lado minha mochila pesada e meu cajado, e com as mãos na cabeça, joelhos no chão, gritei, questionando ao universo o porque de todo aquele sacrifício. Chorei e, de repente, me lembrei o porque tinha começado. De repente estava em um quarto no topo de uma montanha, me apaixonando por um português misterioso e tagarela. De repente estava sozinha, na frente de uma lareira que o senhor cuidador do albergue, carinhosamente, havia acendido pra mim, sua única hóspede aquela noite. De repente ouvia sua história de amor e renúncia, e a decisão de dedicar-se ao cuidado dos peregrinos. De repente, em um parquinho de crianças, deitada na grama, beijava carinhosamente, pela primeira vez, a boca do português, olhando fixo em seus olhos. E ele, os meus. De repente ouvia seus versos a meu respeito e parava todo o tempo ali. De repente, em uma arena de batalha, ou uma feira medieval, imaginando-me em uma cena de um filme, fui cumprimentada com um "Bom Caminho" bem abrasileirado. Sabedor de meus passos, soube logo minha nacionalidade. Arriscou certo e com bravura. De repente, então, estava na barraca do David, tomando um suco. De repente, estou nos Pirineus, assustada com o barulho do vento la fora, me abrigando em uma pequena construção, junto com um brasileiro teimoso e, tão cedo no caminho, já adoecido. De repente via as ruínas medievais de uma cidade fantástica, os castelos famosos por sua arquitetura, as igrejas, suas imagens, paredes, lustres, portas, altares, e os meus preferidos, os tetos majestosos. De repente caminho entre carros e cidades grandes, sempre na companhia do prato do dia e um bom vinho caseiro. Conheço vinícolas e parreirais, fazendas, vilas, cachoeiras, albergues, bares, estradas, pessoas, ideias, sensações. De repente, atravessando as plantações, no meio de um lugar tão único e tão distante de tudo, recebo uma ligação de uma grande amiga, um oceano distante. A cada dia esperava, de repente, às 10 da manhã, uma mensagem de motivação do meu progenitor, meu melhor amigo, que, a principio, reprovou minha ideia maluca de atravessar tantos quilômetros sozinha, com uma mochila, a pé, do outro lado do mundo. Mensagens de coragem em um momento decisivo também vieram nas redes sociais. De repente, me vi só, de repente, uma família. "Taitarí", agradeci e escrevi em uma parede, debaixo de uma ponte urbana. De repente adoeci, parei, fui amada. De repente, andei de trem, peguei carona na estrada, afundei meus pés enrolados com sacolas embaixo das botas, na neve. Brinquei sem me cansar, fiz anjinho, bonequinho, e até achei que ia perder a mão de tanta dor que o gelado me causou. De repente aprendi palavras em coreano, alemão, e fazia sempre a tradução das conversas em inglês e espanhol. De repente, eu venci a mim mesma, venci a vontade de desistir, venci a fraqueza e também a força, venci as certezas, venci a expectativa, venci o medo e, de repente, cheguei em casa, na praça dos quatro poderes. Girei como criança, com os braços abertos, olhos fechados, cabelos em movimento. Sentamo-nos em roda no chão, a família. De repente, gratidão. E, de repente, memória. De repente tudo denovo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A insustentável leveza do ser


Termino essa leitura e logo percebo que estou, eu mesma, no desfiladeiro, momento de intensa, constante e angustiante escolha entre o peso e  a leveza. De um lado, almejando uma casinha simples na costa da lagoa, onde possa acordar todos os dias e dar um passeio com o meu companheiro labrador, dar bom dia a quem encontrar, e sair a trabalhar para simplesmente garantir o almoço. De outro, o coração acelerado por missões, mudar a vida de pessoas, trazer esperança, levar uma mensagem, fazer com que a fé que me transformou tenha eco em outros cantos e corações. Todos os dias sou obrigada a escolher quem sou, vejo que não é coisa de destino. Tenho no peito um coração pulsante e forte, que não me permite acomodar. Não o consigo calar. Tento, em vão, calar o mundo em mim. Mas o dia bate à minha porta, questionando se vivo de fato aquilo que desejo, se estou plena de mim, e, portanto, realizada. Todos os dias faço uma escolha ao abrir os olhos, com a cabeça ainda no travesseiro. Todos os dias convivo com tudo aquilo que vem junto com essa escolha. Por vezes, me preencho, por vezes, eu mesma crio esse vazio infinito em mim. Pra hoje, peso ou leveza?

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Bom dia pra confiar!


Na ânsia e na ansiedade de ter o controle sobre a minha vida e o meu futuro, hoje sentei no Trapiche, após uma corrida matinal - inusual - e comecei a falar com Deus, questionando-lhe sobre os próximos passos a serem dados. Senti paz de perguntar, talvez já fosse a hora dele compartilhar comigo qual a sequencia dessa aventura de ter vindo à Florianópolis realizar meu sonho de me dedicar ao que eu amo. Conversamos bem pouco hoje. Ouvi a voz de Deus pouco depois de elogiar os peixes que um pescador carregava em uma das mãos, dentro de uma sacola, voltando da ponta do Trapiche, após lançar sua rede ao mar por algumas vezes. Ele respondeu com um sorriso constrangido, mas com o coração orgulhoso, que ali havia começado seu almoço. Levei mais um tempo olhando o mar e o constante formar e desformar das pequenas montanhas em sua superfície, até entender que aquela era a minha resposta. Que o pescador havia saído de sua casa, numa hora anterior ao almoço, para garantir o mesmo, sem ter controle de quase nada. Ele poderia voltar com peixes, ou poderia voltar sem nada. Mas ele confiou e saiu para o trabalho de conquistar seu próximo passo, o almoço. E lá estava Deus, me pedindo amorosamente pela enésima vez, que eu confiasse nEle, mesmo sem saber o que vem depois, mesmo sem certeza de nada. Que a vida em Cristo é vivida um dia após o outro, e que, se nem mesmo os pássaros, tão livres, passam qualquer tipo de necessidade, imagina os filhos de Deus, incluindo eu, feitos à Sua imagem e semelhança. Filha, confie em mim, viva da melhor forma possível, um dia após o outro, o grande EU SOU estou cuidando de você. Eu cuidarei dos próximos passos, assim como cuidei de tudo até aqui! 

domingo, 25 de junho de 2017

Diário GforC - 14ª Semana

Diário GforC - Grupo de Formação em Circo/CircoCan
Florianópolis/SC

14ª Semana
05 a 11 de junho

De 05 à 25 de junho eu foquei em treinar Trapézio Triplo com a Ana e a Gabi, mas infelizmente, não conseguimos apresentar no Showcase de junho, pois, além de não ter tido tempo de treino suficiente, tivemos muitos contratempos, e acabamos por entender que não era hora de estrearmos, mas continuamos treinando mesmo assim, agora junto com a Pri, visando o espetáculo, já que o Adilso gostou da ideia de um número nosso de Trapézio Triplo. O Pedro, antes de viajar, nos chamou, um a um, pra conversar sobre o que estávamos pensando do curso, como estávamos, e quais nossas expectativas pós-curso. No geral, pelo que ouvi, as conversas foram muito boas, produtivas, e até duras. A minha foi ótima, pois pude expressar minhas intenções com o circo, que há um tempo venho pensando sobre. Entendi que não desejo ser uma super artista ou entrar no Cirque du Soleil, mas sim usar o circo como ferramenta de despertamento, de transformação na vida de outras pessoas a quem eu possa me apresentar ou ensinar, assim como outrora fora feito a mim. Falamos sobre a pressão demasiada que eu me imponho, e sobre a capacidade que há em mim que eu teimo em não acreditar! Falando sobre o Pedro, ele me surpreende a cada passo que dá, pois se mostra puro coração, disposto a despertar o melhor em todos a quem ele encontra, com sabedoria e assertividade. É incrível ver como o Circocan, o Gforc, estampam a cara e o coração dele nos mínimos detalhes! Tenho que tirar o chapéu mesmo! É lindo de ver!

Ah, pela primeira vez na minha vida, em um dos treinos, a minha pressão baixou, eu tive uns blackouts e só queria deitar a todo custo. Nunca tinha experimentado essa sensação, coisa nova, oh?! No mesmo dia, continuando a treinar, cheguei ao meu nível máximo de exaustão em uma aula de parada-de-mão, gritei e saí chorando desesperadamente para o banheiro. A Bela viu, foi atrás de mim, e ficou comigo até que eu me acalmasse e resolvesse voltar pra aula. Sim, eu estou aprendendo a lidar melhor com as minhas emoções, a agir, apesar delas, mas ao mesmo tempo, escutá-las com respeito ao meu corpo e à minha alma. Isso têm sido uma escola diária, e os progressos são nítidos. Até elogios espontâneos quanto à isso, e à minha nova postura nos treinos e fora deles, eu recebi, dos colegas e professores. Sou grata por me ver evoluir, e porque isso é perceptível além dos meus pensamentos. Um desses dias, o Pedro pediu pra reformarmos um trapézio, eu e a Ana, e ficamos um tempinho a mais, lixando, limpando, desenferrujando e encapando um trapézio que estava largado às traças. Foi uma terapia certeira, cuidar do aparelho que temos estudado, com o qual temos passado bastante tempo. Tenho ido a mais aulas extras, além dos treinos Gforcianos. Fitness, flex, acro... E me sentido muito motivada! Também tenho escrito todas as rotinas de exercícios que temos tido em aula, e meu caderninho está ficando cheio. Sobre as novidades, começamos a experimentar um aparelho novo, o Mastro Chinês, que é muito legal, apesar de acabar com nossa pele.

Na terça-feira, dia 06, eu jantei na casa da #VACAmila - https://www.facebook.com/milafenunes -, minha amiga aqui de Canas. Ela fez um arroz indiano maravilhoso, lentilha e um franguinho delícia. Pra acompanhar, levei uma garrafa de vinho, conversamos e rimos a noite toda! Camila vive viajando, e posta suas experiências no seu face e no insta. Ela é linda, vale a pena seguir e conhecer, ou conhecer e seguir, tanto faz. Ah, na quinta, dia 08, fui com a Camila, uma amiga dela e a Amandinha, no Bob Marley Concert, um concerto em homenagem ao grande, que aconteceu numa casa de shows na Lagoa da Conceição, chamada John Bull. A música estava ótima, o chopp era em dobro, e nos divertimos muito! Difícil foi disfarçar o cansaço no treino no dia seguinte, mas nos ajudamos e tudo se saiu ainda melhor do que o normal. E no fim do dia, como se tivessem adivinhado nosso cansaço, todos ainda ganhamos um banho de gelo nas pernas, o que, apesar do clima frio, foi extremamente renovador! Outra nova experiência, excelente, recomendo!

No sábado, dia 10 de junho, eu e a Gabi treinamos Trapézio pela manhã, fui à Feira do Mel, no Largo da Alfândega, aproveitar o preço tabelado e comprar 2kg de mel, que vão acabar quando menos eu esperar. Nesse dia conheci o Mercado Público, me encantei pela simplicidade e múltiplas informações do lugar! Pra fechar com chave de ouro, almocei pastel com caldo de cana. Felicidade define! Fui à praia um pouco, e passei o resto do dia fazendo molho de cachorro quente pra levar no nosso arraiá. O Arraiá do Gforc foi nesse mesmo dia, o pessoal estava bem animado e tinham muuuitas comidas gostosas. Não dá pra dizer o que estava mais gostoso lá! Fiquei tomando quentão, comendo e trocando ideias com o Wildner e a Shely. Coração bateu forte conectado a outros corações com objetivos tão parecidos com os meus! Amei conhecê-os melhor e me senti muito a vontade de me deixar conhecer também! No domingo, acordei meio dia, limpei a casa, comi um churros que a Camila ganhou em uma promoção do facebook, e fomos juntas a um passeio histórico em Santo Antonio de Lisboa, conduzido pelo Guia Manezinho - https://www.facebook.com/guiamanezinho/ -. Aprendi muita coisa sobre a cidade, o tempo estava super agradável e nosso guia foi sensacional, super inteligente, simpático e prestativo! Depois de lá, fui ao espetáculo do Casuo - http://www.universocasuo.com.br/ -, num centro de eventos perto da  rodoviária. Casuo foi palhaço do Cirque du Soleil um tempão, e hoje tem seu próprio espetáculo circulando o país. O show foi impecável, tecnicamente falando, mas cansativo nas suas costuras e finalização. Mesmo assim, valeu à pena, voltei pra casa reflexiva e cheia de ideias novas.









segunda-feira, 12 de junho de 2017

Diário GforC - 10, 11, 12 e 13ª Semana

Diário GforC - Grupo de Formação em Circo/CircoCan
Florianópolis/SC

10, 11, 12 e 13ª Semana
08 de maio a 04 de junho

Bom, pessoal, basicamente, estou com um mês de atraso em meus relatos, e sem tempo - ou disposição - pra escrever com detalhes tudo o que aconteceu nesse último mês, então nesse relato eu vou correr um pouco com os fatos, só pra mantê-los atualizados. Não é por má vontade, porque eu amo escrever, mas realmente a rotina é tão cansativa, que ás vezes, estando em casa, eu só quero descansar corpo e mente, e não fazer nada. Criar é uma das coisas mais cansativas. Mais uma vez, amo criar, e escrever é pura criação, mas tenho estado muito cansada, apesar de me adaptado muito melhor a tudo, equilibrado melhor minhas emoções e me conhecido de maneira profunda! Muita coisa aconteceu nesses dias, muita mesmo, mas vou deixar apenas um gostinho de cada uma e, se você quiser saber mais a respeito de alguma coisa, terei o maior prazer em contar.

Em maio, fiz minha matrícula e trancamento na faculdade, caso seja plano de Deus voltar a fazer veterinária. Em maio, eu comecei a trabalhar como UBER. No início estranhei um pouco a falta de diálogo da maioria dos passageiros, e ainda estou conhecendo as manhas pra poder lucrar com o aplicativo. Porém, estou amando, tem sido uma alternativa ótima e salvadora da pátria pra mim, já que estou com a água no pescoço das contas que tenho pra pagar (contas normais, mas sufocam por causa do alto custo de vida na ilha). Inclusive, na revisão do meu carro, descobri alguns reparos que precisava ser feitos, e lá se foi qualquer dinheirinho a mais que eu poderia gastar. Comecei uma rotina de intercessão todos os dias por pessoas, famílias, povos ou causas diferentes, além de uma rotina de um motivo de gratidão por dia, que eu escrevo em post-it e colo na minha parede, em frente à mesa que vos escrevo. Essas duas atitudes têm sido extremamente nutritivas pro meu espírito! Bom, sigo a leitura de Alma Sobrevivente, do Yancey, que está quase acabando. Comecei a treinar escaleta com a Nina e a Jaine (que conheci na Fhop), que são duas meninas fofíssimas e talentosas, vindas do Acre. Acredite ou não, já sei um pequeno solinho de uma música do filme da Amelie, e um trechinho de The Scientist, Coldplay. Tenho lavado roupas, falado com meus pais todos os dias, e brigado com minha alimentação sempre, pois já são 3,6kg a mais, pasmem, nunca na vida havia cheguado no meu peso atual. Ah, fiz minha primeira trilha na ilha, aqui no norte mesmo, saindo da Praia do Forte. Fui com a Jaine, a trilha foi bem leve, agradável e com vistas maravilhosas da tríplice defesa da baía norte (as três fortalezas que protegiam a baía norte dos ataques e invasões marítimas, localizadas na Ilha de Ratones Maior, Inhatomirim e Praia do Forte). Nesse dia, tomamos sorvete numa tão famosa sorveteria italiana nos Ingleses, mas eu não gostei, pois achei exageradamente doce, não consegui terminar.

Também conheci Campeche e a Lagoa do Perí, com a Milena e a Jaine, num domingo bem gostoso em que saímos juntas após o culto da Fhop. Nesse dia também fomos ao Circo da Dona Bilica pra um espetáculo de palhaços, que foi super bonitinho. Mas, mais legal ainda foi a gentileza de nos passar um café grátis antes do espetáculo, do senhor de olhos profundos, que depois descobri ser o famoso palhaço espanhol Pepe Nunez. Dia doce e marcante! A noite ainda fui comer pizza e tomar caipirinha com a minha amiga Camila, que outrora foi comigo de carona à Curitiba. Sempre temos ótimos papos, e a companhia dela é agradabilíssima, daquelas que não esperam nada de você, além de você mesma, o que é um alívio em meio a um mundo de tantas expectativas. Comprei mais plantinhas pro meu jardinzinho, e um negocinho de colocar água doce pra atrair passarinhos, que, pra minha surpresa, atraiu-os rápido demais, e agora tenho que repor a água a cada dois dias pra esses comilões.Também tive que descongelar a geladeira um dia, que trabalheira! Algumas vezes, fiquei horas no Trapiche, só observando tudo ao redor. Continuo inventando coisas deliciosas na cozinha, e algumas não tão deliciosas assim. Assisti dois documentários incríveis, um que a Pri me emprestou, chamado Pai das Luzes, fala de Jesus de maneira não religiosa, e acho que todos deveriam assistir, é libertador; e o outro se chama Embrace, sobre se desligar da imagem corporal ditada pela mídia, sensacional pra aprender a se amar.

No dia 19 a minha melhor amiga Jake veio me visitar, e ficou até dia 24. Percebemos o quanto somos diferentes, mas, mais importante, o quão grande é o carinho que nos une. Comemos muitas coisas gostosas, jogamos sinuca na Lagoa, o que fazia tempo que eu tava com saudades de fazer. Fomos à uma noite cigana maravilhosa na Casa de Noca, com a banda paulista Gran Bazaar. Me senti naquelas aldeias de Asterix e Obelix, com xícaras enormes de chopp, as crianças correndo embaixo das mesas, e as meninas de saia rodada com sua tranças a dançar. Me senti dentro de um filme, e dancei como se não houvesse amanhã. A Jake não gostou muito. Também passamos bastante tempo descansando, fazendo literalmente nada em casa, o que eu não tinha feito até hoje, desde que cheguei aqui. Fomos ao cinema, pegamos uma trilha que não deu em lugar nenhum, bebemos e conversamos besteiras, andamos pelo centrinho de Canasvieiras, e compartilhamos nossas companhias e ideias. Foi muito bom tê-la aqui! Renovador e gratificante! Ah, comecei e terminei a primeira temporada de uma série muito gostosa: Girl Boss retrata a caminhada de uma garota um tanto mimada, em direção ao seu sonho profissional. Tive dias ruins também, em que chorei querendo muito minha casa, em que me senti um lixo, frustrada, em que me preocupei muito com grana. Fiquei sem carro alguns dias, enquanto este estava na oficina. Assisti um filme profundo e inspirador, por indicação do papai, chamado Redenção, que me fez reerguer a cabeça e ter um momento muito legal e marcante de intercessão. Fui em um festival gospel com cantores gospel do momento, e não me identifiquei com absolutamente nada. Assisti a parte do pedal do IronMan durante 3hs no engarrafamento, o espetáculo do Circo da Rússia, e o filme Piratas do Caribe, no cinema, tudo no mesmo dia de solitude.

Sobre os treinos, eles continuam de matar, ainda mais com o retorno do Pedro (que estava viajando), mas temos todos evoluído muito! Agora começaram os treinos bem técnicos mesmo, e isso é muito legal! Além dos treinos habituais, temos aprendido straps, tecido, lira e trapézio. Enquanto houve sol, fizemos acrobacias ao ar livre com o Luke, o que era muito motivador. Também enquanto houve sol, continuei indo nos treinos de Trapézio Voador, e a cada aula, evolui mais uma figura, fiz até Catch (quando você sai de um trapézio para as mãos de alguém em outro trapézio) já! Nem sei explicar a sensação de orgulho - orgulho bom - e superação que tenho à cada aula dessa! Fiz uma aula de flexibilidade sensacional com o Adilso, bem diferente, numa das manhãs.  Ah, esses dias tivemos nosso primeiro acidente, a Gabi caiu treinando acro e abriu o queixo, foi uma sangueira de assustar, mas não foi nada grave, graças a Deus. Nas aulas de acro coletiva com o Pedro, começamos a ousar mais, fazendo saltos no banquine e terceira altura. Essa é minha aula favorita, aliás, meu dia favorito, pois começa com um treino fitness pesado, passa por flexibilidade, acro coletiva e depois o pedagógico. Não tem dia mais lindo que esse! Tenho aprendido a me divertir com o frio na barriga, e ir mesmo com medo, em quase tudo. No banquine, além de fazer spot (o colega que não deixa o outro morrer, o salvando quando ele cai), fiz vários saltos, e fiquei muito feliz em fazê-los de forma consciente e correta. Na terceira altura - três pessoas em pé, uma encima da outra -, eu faço a pessoa do meio, e pasmem, o medo não existe nessa hora, apenas a vontade de fazer dar certo! E deu, deu certo várias vezes, e também é outro motivo de felicidade! Tivemos dias em que todos nos estressamos e, aqueles que completaram as atividades, o fizeram com sangue nos olhos. Até explodi de exaustão esses dias, gritando e indo chorar no banheiro. Ainda bem que os professores já estão preparados pra isso e não levam pro lado pessoal. Falando em pessoal, o pedagógico voltou, e em uma dessas sextas, fomos tomar café juntos no Open Shopping de Jurerê, em duplas de cegos e mudos, o que provocou sensações muito curiosas. Pra apresentar no próximo showcase, eu, Ana e Gabi começamos a criar um número de trapézio triplo, que está se desenvolvendo lentamente, mas ficando muito legal! Espero conseguir apresentar enquanto minha família estiver por aqui.

No sábado, dia 03 de junho, eu sai pra trabalhar, mas não recebi nenhuma chamada durante muito tempo, então saí a conhecer as praias e bairros ao redor: Daniela, Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Lagoinha do Norte. Me apaixonei pela primeira. Fui comprar um biquíni e tive uma experiência horrível por causa de uma conversa um cara extremamente religioso, e fiquei com o coração oprimido o dia todo. Fiz um tour histórico assustador pelo centro de Floripa (Floripa Misteriosa), e ainda curti um filme super fofo no cinema: Amor.Com. No domingo meu dia de trabalho foi excelente, recebi muitas chamadas, longas, e cada trecho colaborou pra conhecer várias histórias, e para o caminho de volta pra casa. Foi o melhor dia de Uber até hoje, valeu a pena! Bom, adiantado um mês, fico por aqui e espero não demorar tanto tempo pra voltar!












segunda-feira, 29 de maio de 2017

Diário GforC - 9ª Semana

Diário GforC - Grupo de Formação em Circo/CircoCan
Florianópolis/SC

9ª Semana
03 a 07 de maio

Bom, cheguei pela manhã em Floripa e peguei uma UBER até em casa. Daí lavei minhas roupas, estudei alemão, aguei minhas plantinhas e dei uma organizada no apê. A tarde teve vivência teatral com a Companhia Circar, na cabana deles, e foi bem legal. O diretor deles é meu professor de criação, e eles vão estrear essa semana, dia 01/junho, com o espetáculo "Iminência do Agora", se alguém de Floripa quiser ir ver, segue o link - https://www.facebook.com/events/422693924764293/. A gurizada é empenhada, vale a pena! Depois do ensaio, conheci o apê da Mayla, e depois fui fazer compras. Em casa, assei uma pizza enquanto descarregava e guardava as compras. Comi a pizza, acompanhada de um bom vinho e de um ótimo som, Ben Harper na vitrola. Ainda antes de dormir, fiz chá de maçã, receita da vovó, e doce com a maçã que sobrara. 

Na quinta cedo eu limpei meu carro, fiz uma super salada no almoço e fui ao JUSC para o meu primeiro voô no Trapézio Voador. Subi as escadas sem expectativas, mas quando alcancei a plataforma, tremi as bases. O Felipe colocou as lines - equipamento de segurança para vôos - no meu cinto, me segurou por ele e pediu que eu colocasse a primeira mão na barra. Até aí foi, mas o travamento aconteceu com a ordem de colocar a segunda mão, aí eu não conseguia tirar a bendita mão de jeito nenhum. Durante 5 minutos, chorei, desisti várias vezes, e tive uma boa conversa com o Felipe. Foi quando eu chamei Deus pra ir comigo, e me larguei, vencendo todo aquele medo que me afligia e quase me impediu de viver uma das coisas mais gostosas de toda a minha vida. A partir do segundo voo, não sem medo, eu me diverti muito, curti muito o friozinho na barriga, e as figuras que tinha que criar com o corpo. Não tenho palavras pra dizer o quanto isso é uma superação e uma alegria na minha vida! Lembro de ver trapezistas voando em alguns circos e ter uma imagem tão longe e inalcançável dessa modalidade, como algo do qual eu nunca iria me aproximar. E de repente, eu voei. Voei no trapézio voador, igualzinho aos heróis da infância, aqueles homens e mulheres maravilhosos cheios de coragem. De repente, eu. De repente, maravilhosa e cheia de coragem. Eu, maravilhosa e cheia de coragem. Gratidão transborda em meu coração. À Deus e às pessoas que não pouparam coração pra me dar incentivo e coragem: Felipe, Júlia, Vini, Duh, Vic, obrigada gente!! Depois da aula de vôos, eu fui ao cinema, assistir <3 assistir="" aula="" b="" cinema="" da="" de="" fui="" o="" os="" para="" v="">A Cabana. Já era fã da história, que foi o primeiro livro que meu querido pai leu, quando o ganhou de presente de mim, e também foi transformado pela história, assim como eu. Mas a versão dos cinemas trouxe um refresco enorme, uma reflexão pura e forte através das imagens. Recomendo a todos! Uma história sobre Deus, perdão, força e amizade. Vai muito além disso, mas só assistindo pra sentir. Bom filme, amigos! Comentem comigo depois.

Na sexta eu ajudei a Milena, amiga da Fhop, com sua mudança. Carregamos tudo perto da UFSC e descarregamos tudo nos Ingleses, e foi um grande prazer fazer parte dessa corrente do bem. Tivemos dinâmicas teatrais com o Suga no gramado do JUSC a tarde, e a noite fui com as meninas da Fhop na igreja Mais de Cristo (http://www.maisdecristo.com.br/), uma Assembleia de Deus muito boa lá no continente. Fomos ver uma das peças do Jeová Nissi, grupo de teatro cristão que eu sempre ouvi falar, mas nunca tive curiosidade, até ser surpreendida com a qualidade do trabalho deles nesse dia. O teatro foi incrível, falava sobre relacionamento, mas o mais espetacular foi conhecer todo o trabalho do grupo pelos vídeos e falas dos artistas. Através da arte, escolas, resgate de meninas na África, Índia, esse pessoal realmente vive  o Reino de Deus na Terra. http://www.cianissi.com/ - o link é esse, caso você tenha ficado curioso! A galera é top de linha, muito compromissada, talentosa, e sim, deu aquela coceirona no coração, e a partir desse dia, eles e a possibilidade de fazer parte do grupo, não saem de minhas orações. Fui para casa impactada.

No sábado cedo curti uma preguiça, limpei a casa, li bastante e tive um momento intenso de oração pela Índia. Também, sem nem ter pensado nisso, só lembrando das imagens do dia anterior, eu abri meu Youtube e tinha uma sugestão de uma banda de folk indiano com o nome da cidade onde o Jeová Nissi tem o trabalho na Índia. Ao clicar play, a primeira música começava com uma repetição das sílabas do meu nome. Se você duvida ou quer ouvir com os próprios ouvidos, clica aqui - https://www.youtube.com/watch?v=6nUCHw40j1o&list=FLvfAfH5aPVKaS9wbQ62_aRQ. Depois disso foi só choro e oração. Pisei em terras e penetrei corações indianos nessa tarde, sem dúvida alguma. No final da tarde, fui à Praia do Forte, um dos lugares mais lindos que já conheci aqui, com a Mayla e a Jennifer, tomar chimarrão e compartilhar ideias profundas a respeito da vida. Foi um tempo de excelência com essas duas, que companhias agradáveis! De lá, tomamos um café e fomos ao Circo da Dona Bilica, no Morro das Pedras, sul da ilha, pra ver o espetáculo dos Irmãos Sabatino, de SP. O circo é uma graça, uma estrutura incrível, quase beira-mar, com banheiros, restaurante, café, lojinha e uma pseudo-lona muito aconchegante, além de idealizadores sem igual, super queridos (https://www.circodonabilica.com.br/)!! Pra continuar os elogios, tenho que falar do espetáculo VaiQueEuVôo, dos Irmãos Sabatino (http://irmaossabatino.com.br/espetaculos/vaiqueuvoo/), em que os meninos são aviadores atrapalhados. Um número tecnicamente impecável, engraçado de um jeito muito acolhedor e fofo, e costuradinho, com a energia mantida o tempo todo pela música ao vivo vinda das mãos e do coração de um rapaz muito sorridente, que abraça de verdade! Gente, que número gostoso de assistir, de participar! Nota dez! Quando eu tiver um número, quero um que cause o amor que este me causou! Coisa linda!! Pra fechar a noite com chave de ouro, eu comi uma tortilla espanhola, que tinha na cantina do circo, relembrando os bons tempos na Espanha. Gostinho de saudade!

No domingo eu fui no culto da Fhop com as meninas, e a pregação do Pastor Dwaine foi simplesmente sensacional! Foi baseada em algum texto do livro de Josué, e falava sobre a grandeza de Deus, citando galáxias, estrelas, universos... e como nosso medo não faz o menor sentido perante a infinitude do nosso Pai. Almoçamos juntas, compartilhando as reflexões que a palavra havia nos trazido, além de combinarmos viagens, discutirmos conceitos, etc, etc, aproveitando que nossos planos haviam sido frustrados devido à chuva que caiu a tarde toda. Quando a chuva deu uma trégua e resolvemos ir ver o pôr-do-Sol, tivemos uma desagradável surpresa ao perceber que meu carro havia ficado preso no estacionamento da igreja. Não tinha mais ninguém lá, e o portão estava trancado. Rimos, mas de nervoso, e começamos a saga de achar alguém que tinha o controle, e até ligar na empresa nacional de segurança, nós ligamos. Acabou que, após um tempo esperando, e tendo que comprar uma água de cocô para poder sentar na lanchonete do Posto de Gasolina, um dos rapazes responsáveis pelo estacionamento, veio nos salvar. Com o rabinho entre as pernas, morrendo de vergonha da situação, eu agradeci muito a disposição dele. De lá, fomos conhecer a casa da Gabriela, e depois fomos todas pra casa, descansar. Foi um dia precioso! Vou lembrar da nossa viagem pra Minas em setembro, ein gurias?!



















sábado, 20 de maio de 2017

Diário GforC - 8ª Semana/2

Diário GforC - Grupo de Formação em Circo/CircoCan
Florianópolis/SC

8ª Semana
28 abril - 02 de maio

Na sexta de madrugada, passando por Passo Fundo, a temperatura indicava 4ºC, e todas as graminhas lá fora estavam debaixo de gelo, enquanto fumacinhas geladas subiam dos lagos. Chegando em Panambi, o vovô Geraldo veio me buscar, depois de buscar o Fábio, meu primo que estuda agronomia em Maringá. Abracei os dois, daquele jeito meio sem jeito. Faço questão de apertar quando percebo a hesitação característica desses gaúchos em abraçar. Chegamos, enfim, à casa da vovó, sempre com aquele cheiro maravilhoso, incomparável, e aquele aconchego quentinho, enquanto tudo lá fora estava frio. Dei um longo abraço nela, conversamos no hall de entrada, tomando chimarrão, e logo era hora do almoço. Após o almoço, me arrumei pra ir na consulta médica da vovó, em Cruz Alta. O tio Daniel nos levou. Chegamos antes das 15hs e o médico da vovó só atendeu ela depois das 18hs. Nesse tempo, conversamos bastante, e ficamos entediados de tanto esperar. Felizmente, o consultório era sensacional na decoração, tinha várias revistas e até vídeos a secretária passou pra assistirmos. Quando tive fome, procurei a cafeteria do hospital e comprovei aquilo que já imaginava, que as cafeterias de hospitais são incríveis!! Comi um pão de espinafre com requeijão, delicioso, acompanhado de um cappuccino. Depois do atendimento, fomos pra casa, jantamos e fomos dormir cedo.

Amo a casa da vovó, e quando estou lá, meu ritmo se adequa ao ritmo dela. Dessa vez, foi bem lento, já que a vó estava se recuperando de uma internação. A acompanhei todos os dias no hall de entrada da casa, a tomar chimarrão, chás, e fazer crochê, ou tricô, não sei bem o nome daquele afazer que ela tanto gosta. Desacelerar foi a ordem, e eu segui com muito gosto! No sábado, depois da rotina da manhã, e de brincar com minhas primas pequenas, a Marli serviu pastéizinhos de queijo, que não existem em nenhum outro lugar, iguais aos que comemos ali na casa da vovó. São deliciosos! Marli é a moça que cuida da vó todos os dias, faz comida, se preocupa e a escuta, o que é mais importante. Ela faz parte da família, e é uma amigona. Junto aos pastéis, foram servidas batatas fritas sem óleo, vindas de dentro daquela máquina airfryer, olha que modernidade! Almoçamos com bastante gente à mesa, já que os primos e tios que moram perto se juntaram a nós. Descansei um pouco, e a tarde fomos pescar no açude da Santa Isabel, a fazenda onde fica o carrossel e as vaquinhas de leite. As pequenas logo cansaram e foram fazer fogueiras e barracas com gravetos, enquanto nós, maiores, não nos cansávamos de colocar minhocas e puxar lambaris, carás e até uns peixes maiores que não me lembro os nomes. Em meio à pescaria, pude conversar um pouco com meus primos Fábio e Malu, sobre questões familiares, futuro, profissão, anseios, etc. Creio que tenha sido a primeira vez que pudemos conversar sobre isso. Quando cansamos, recolhemos as tralhas, comemos salgadinhos, e ajudei as pequenas com os gravetos. O campo de fenos enrolados no plástico se tornaram diversão, enquanto pulávamos por cima deles ao pôr-do-Sol, gravando boomerangs. Em casa, a tia Nica, que havia nos acompanhado na pescaria, fritou os peixinhos e comemos como aperitivo, já que tínhamos marcado de sair a noite. Fomos a um restaurante chamado Farfalle, onde tive a oportunidade de provar massas incríveis e diferentes das que conheço, por um preço muito acessível. Foi uma noite agradável entre primos e tios, e, mesmo que eu tenha ficado no cantinho da mesa, meu olhar descansava naquele momento de satisfação. Família! Nessa noite, fui pra casa da tia Nica brincar com as meninas até tarde, e dormi por lá, dividindo a cama com a Dominique.

Domingo é dia de churrasco, e o vovô se levantou cedo pra colocar a carne na churrasqueira. Quando cheguei na casa da vovó, já estavam todos preparando os detalhes pra receber todo mundo à mesa. A vovó até passou um pouquinho mal quando viu que estaríamos todos reunidos, mas ela descansou e ficou bem logo. Oramos, todos à mesa, em gratidão a Jesus pela família e pela refeição. Vem carninha, vai carninha, e lá estamos nós, comendo o melhor churrasco do mundo. Sentei na mesa com as crianças, como sempre, e assim enchemos todos os lugares, passando bandejas de maionese da vó, salada verde, farofa, arroz, garrafas de coca, suco de morango e chá de maçã, pra lá e pra cá, e sendo muito bem servidos com costela e carneirinho, pelo vovô Geraldo. Daí vieram as bandejas de sobremesa, com pudim, manjar de morango, sagu e picolés. Depois do almoço fui com a tia Déia e a Malu na AVOCAP, uma instituição que abriga crianças afastadas de seus lares. Passamos uma parte da tarde brincando com as crianças, correndo, ensinando circo, sendo lambidas, dando mamá, carregando no colo, oferecendo lanche e pirulitos. Foi um tempo renovador, precioso e me trouxe à memória aquilo que me dá esperança. Saí de lá abençoada, e espero ter abençoado pelo menos um pouquinho, aqueles anjinhos de carne e osso. Depois de lá, fomos pra fazenda conhecer o pequeno paraíso do tio Jorge e da tia Déia, uma cabana de madeira na beira da lagoa, com pinhos altos ao redor, coisa mais linda! Me senti em uma daqueles perfis do face ou insta, sobre acampamentos e cabanas. Ficamos um tempinho lá, vi minhas priminhas loucas pilotando o quadriciclo, e depois voltei para jantar aveia junto com a vovó. Ainda fui à igreja com a tia Nica, depois comemos pizza, conversamos muito e oramos juntas.

Na segunda, feriado do dia do trabalhador, o Fábio voltou pra casa, e eu passei o dia todo com a vó Iloni, na velocidade dela, curtindo sua companhia, e trocando algumas palavras de vez em quando. A família da tia Nica veio almoçar conosco, descansamos após o almoço, e no final da tarde fomos ao velório de uma conhecida da vó e do vô. Desde que a vó esteve internada, esse foi o primeiro dia que ela saiu de casa. Acredito que tenha sido bom pra ela, pois ela conversou bastante, respirou ares diferentes. A noite, a vó fez sopa de ovo pra mim, uma especialidade dela, que, por sinal, é maravilhosa. Comi tudo, pois ela não me permitiu deixar nada no prato. Me senti muito amada, e ela também, acredito. Depois que ela foi dormir, fui pra casa da tia Nica comer pinhão.

Na terça-feira, acordei a tempo de compartilhar o café na mesa com a vó e o vô. Tomei banho e, junto com a vó - dirigindo, inclusive -, fomos à Cotripal, fazer compras - aliás, como ela diz, fazer o rancho - para a casa, e algumas coisinhas que eu queria levar de lá. A vó fez a festa, e encheu dois carrinhos de "coisinhas que faltavam em casa". Acho graça, pelo menos ela saiu e isso fez muito bem à ela. Quando chegamos, ajudei a descarregar as compras, enquanto a Marli as guardava. Tomei chá com a vó, e, enquanto ela fazia tricô - ou crochê, como havia dito -, eu fazia suas palavras cruzadas. A tia Déia, Domi, Dani e Malu, vieram se despedir enquanto tomávamos mate. Almoçamos, eu sai pra catar umas pocãs e laranjas pra trazer pra casa, arrumei minhas malas, tomei um banho e fui me sentar ao Sol, acompanhando meu avô. Logo a tia Nica e a vó chegaram também, lanchamos, oramos juntos, e o vovô me levou no posto, onde o ônibus iria parar pra me pegar. Enquanto esperava o ônibus, o vô Geraldo contou suas histórias, o trajeto de seus pais, a Guerra, o encontro com a vovó, as conquistas de trabalho, imigração, etc, etc. Amo ouvir suas histórias, mas por bem ou por mal, quase nunca as recordo, e sempre fico feliz em ouvi-las novamente. O ônibus chegou um pouco atrasado, me despedi do vovô com um abraço forte e parti para o regresso. Dormi e acordei umas 34 vezes até chegar em Floripa.







quinta-feira, 18 de maio de 2017

Diário GforC - 8ª Semana

Diário GforC - Grupo de Formação em Circo/CircoCan
Florianópolis/SC

8ª Semana
24-27 de abril

Na segunda pós aniversário, eu acordei tarde, terminei de organizar a bagunça, lavei todas as louças, e também minhas roupas. O treino à tarde foi bem animado, era aniversário da Ana. A aula de flexibilidade com a Nick foi sensacional, e também teve trampolim, parada-de-mão e criação. Após o treino, eu dei carona pra Gabi e pra Pri, pra podermos conversar e compartilhar nossos sentimentos quanto ao GforC, foi precioso! A noite e durante o resto da semana, continuei respondendo minhas mensagens de aniversário, uma por uma, do whats, facebook, messenger. Jantei, montei um pouco do quebra-cabeça e fui dormir.

Na terça, acordei feliz, fui ao Detran buscar minha CNH nova, e depois ao escritório da Uber, pra terminar meu cadastro. Almocei e fui ao treino, que foi intenso nesse dia! Teve parada-de-mão, aéreos, saltos, jogos teatrais, movimentação e flexibilidade. Levei a Pri e a Vic em casa, e montei um pouco de quebra-cabeça. Ao verificar minhas passagens pro Rio Grande do Sul, que havia comprado pra visitar minha família no feriado, percebi que elas haviam sido canceladas pelo cartão.

Então, na quarta cedinho, liguei na rodoviária e comprei minhas passagens de ônibus até Panambi. Deu tudo certo. No almoço, fiz um gratinado de frango com purê de abóbora direto do pavilhão gastronômico do céu! No treino a tarde, antes de iniciar a parte física, tivemos uma conversa motivacional com o Paulão, campeão olímpico de vôlei, novo diretor do JUSC. Foi incrível ouvir suas experiências e seus conselhos pra nós, enquanto novos atletas. Após a conversa, o Pedro e a Nick fizeram um treino de circo fitness matador, com milhões de exercícios, um após o outro, sem parar pra descansar. Não consegui completar corretamente quase nenhum deles, pois foi, de fato, bem pesado. Quando terminamos, estávamos mortos, e o Pedro nos chamou pra conversar e falar sobre como não estávamos nos comportando como grupo. Aproveitamos o espaço pra falar sobre nossos objetivos, sentimentos, frustrações, sonhos, etc, e a equipe novamente nos lembrou do privilégio e da conquista que é estar aqui, quais os sonhos deles pra nós, como eles trabalham, o que pensam, etc. Foi lindo pra lembrarmos qual o nosso objetivo pessoal aqui, renovar o fôlego e relaxar a pressão um pouco. O psicólogo esportivo da equipe de ginástica da Nick também estava nesse dia, e expressou algumas palavras marcantes, que me fizeram ver o quão importante era o papel dele. Falou que sua função é levar as pessoas a conquistarem seus sonhos, e isso é incrível! Ainda tivemos flexibilidade, e depois o dia lá fora nos agraciou com um pôr-do-Sol espetacular, um verdadeiro show! Esse dia foi realmente especial! Estava bem cansada ao final de tudo isso, mas ainda arrumei minhas malas e pintei as unhas antes de dormir.

Na quinta fui ao treino, mas fiquei até na metade, pois precisava pegar o ônibus para o RS. Tomei um sorvete, me arrumei e chamei o UBER, que me levou até a rodoviária, com papos bem legais, em meio ao trânsito intenso que estava naquele horário. Felizmente, cheguei a tempo, peguei o õnibus e partimos em direção à Panambi. Uma garota super legal de Passo Fundo sentou ao meu lado, e conversamos a viagem toda, nos raros momentos em que não estávamos dormindo. Comi sopa de iolanda na parada do jantar.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Diário GforC - 7ª Semana/2

Diário GforC - Grupo de Formação em Circo/CircoCan
Florianópolis/SC

7ª Semana
21-23 de abril

Acordei bem cedinho na sexta, tomei banho e fui buscar a mamãe na rodoviária. Quando ainda estava a caminho, ela me ligou, dizendo que já havia chegado. Me aprumei e, quando cheguei lá, ao final do espaço de embarque/desembarque, me deparo com uma loira linda, cabelos soltos, óculos com ar de intelectual, com uma mochilona laranja de trilha nas costas. Era minha mãe, fazendo sinal com os braços pra que eu a avistasse. Estacionei, desci do carro e lhe dei um abraço infinito, inalando profundo aquele cheirinho de casa de vó que estava em suas roupas, e o cheiro inconfundível do seu cabelo macio. Colocamos as malas no carro e fomos tomar café no Café da Mary, sobre o qual já falei aqui. Optamos pelo café colonial, completíssimo, com ovos mexidos, pãezinhos diferentes, presunto, queijo, pães-de-queijo, frutas, cucas, tortas, café, leite, etc, etc, etc. Nos atualizamos e contamos as novidades enquanto apreciávamos a refeição farta. Mary também compartilhou um lugar em nossa mesa, afim de conhecer a minha mãe, de quem eu havia falado anteriormente à ela. De lá, fomos para casa. Subi as malas da mamãe, ela conheceu e gostou muito do apê, e então nos sentamos na cozinha pra falar sobre como havia sido o período dela com a vovó. Choramos juntas, oramos juntas, conversamos muito, e foi um momento precioso entre amigas. Fiz um strogonoff de carne para o almoço, comemos juntas, e então decidimos descansar, já que a mamãe estava muito cansada (eu entrei na onda e não fui para o treino, aproveitando pra dormir com as pernas entrelaçadas nas da mamãe). Quando acordamos, abrimos malas, descarregamos coisas, ganhei presentes de aniversário, organizamos as coisas novas, até decidirmos sair pra passear no final de tarde. As meninas da Fhop me deram a dica de Santo Antônio de Lisboa, e então fomos pra lá. Me encantei pelo lugar e pelo passeio, que se iniciou com um lindo pôr-do-Sol à beira-mar, em meio aos barcos ancorados perto da areia. Andamos até a igreja, galerias de arte, casas de artesanato, padarias, respirando a energia super agradável do bairro e das pessoas por ali. Nos sentamos no deck de um dos restaurantes e pedimos uma moqueca, além de um chopp, enquanto esperávamos a comida. Compartilhamos momentos preciosos ali. Quando a comida chegou, mamãe me surpreendeu, pedindo que eu chamasse o senhor que estava a tocar violão na praça para comer conosco. Ele não aceitou, em um tom um tanto rude, mas não me importei com sua postura, já que o fato da mamãe ter sugerido aquele convite ter sido o que mais me importava no momento. Terminamos de comer, tomamos mais um chopp, e então fomos para casa dormir cedo.

No sábado, tomamos café em casa e fomos cavalgar em Moçambique. Como foi a minha melhor experiência aqui, quis levar a mamãe para experimentar também. Confesso que fiquei preocupada por não ter pensado que a cavalgada era longa e a mamãe pudesse se sentir desconfortável. Mas, aparentemente, ela gostou muito. Fez muitas perguntas ao guia, tirou muitas fotos, e ficou admirando a paisagem. Eu fiquei ansiosa por fazer vários passeios e levar ela pra conhecer um monte de coisa, sem me dar conta de que a mamãe não gosta muito disso, ela curte um sossego, calmaria, descanso. Mas vivendo e aprendendo, nesse dia eu fiz ela passear bastante. Almoçamos na Lagoa, um peixinho frito acompanhado daquela cerveja gelada. De lá, paramos em alguns mirantes, e depois fomos ao mercado, pois a mamãe havia feito uma lista de coisas que faltavam em casa e que ela queria comprar. Eu aceitei e agradeci, minha casinha tá bem mais completa agora! E nem é por causa das coisas que compramos. É porque a mamãe esteve aqui, andou em cada cômodo, passou pela varanda, tomou banho no meu chuveiro, sentou na mesa do café, dormiu ao meu lado na cama, deixou seu cheirinho em cada canto, e fez do meu canto, um lar! Depois da visita dela, me sinto muito mais confortável aqui. No mercado, tomamos um café, e quando voltamos, ainda deu tempo de dar um pulinho na praia e olhar o pôr-do-Sol. À noite, a levei no Showcase da escola, do CircoCan, e ela simplesmente amou! Ficou de boca aberta em cada apresentação, e elogiou os artistas um por um. O que também se deveu ao fato de que eu a apresentei pra todos os meus colegas, amigos e professores, um por um. Quanto orgulho de lhes mostrar a minha mãe, a mulher que eu mais admiro na vida. Estava super excited e orgulhosa por tê-la do meu lado! Ela conversou com várias das pessoas a quem eu a apresentei, e no final, estava até cansada. Em casa, a pedido dela, assistimos um episódio de Bones na Netflix, e fomos dormir.

No domingo, dia 23 de abril, foi o dia que Deus escolheu pra que eu viesse ao mundo, ou seja, era dia de celebrar a vida e agradecer com todo o meu fôlego! E eu já acordei me sentindo extremamente amada pelo "Bom dia" e o "Feliz Aniversário" da mamãe, ao meu lado na cama, com a cabeça em posição lateral, um olho em cima do outro, acomodada no travesseiro. Aqueles olhinhos e o sorriso que lhes faziam companhia, vindos do ser que não cansa de amar. Abracei ela ali mesmo, rolando de um lado pro outro. Daí fui pra sacada, ver o Sol do meu dia, e o parabenizar de Deus, feliz com a sua criação. Eu, mais feliz ainda, por ser amada por Ele. Tomamos café juntas, circundadas por uma atmosfera de amor. Nos arrumamos rapidinho, pois eu tinha que levá-la no aeroporto, já que a passagem mais em conta era no domingo mesmo. No aeroporto, tomamos um cappuccino e eu abracei ela um milhão de vezes, enquanto ela ainda não havia entrado na sala de embarque. Chegou a hora dela ir, e eu a abracei novamente. Após deixá-la, fui ao culto na Igreja no Cinema. Ah, como fui bem recebida por Jesus naquele lugar, como agradeci em melodias pelo dom da vida, pela felicidade que transbordava em mim. Deus falou comigo do começo ao fim, sobre honestidade, principalmente comigo mesma, com aquilo que Ele pensa de mim. Fui ministrada a respeito de auto-estima, algo que há tempo não percebia como estava em mim. E estava mal! Mas o Pai não se cansa de lembrar o quanto nos ama e o nosso valor diante dEle. Ele me ama, o Pai me ama. E importa que eu acredite e assuma aquilo que Ele pensa a meu respeito.

"Bem sei os pensamentos que tenha sobre você. São pensamentos de paz, e não de mal, para lhe dar o fim que tanto desejas." Jeremias 29:11
 

Para acompanhar essa mensagem, todos os desejos de feliz aniversário me fizeram sentir tão especial, tão querida e amada, que mal podia acreditar em tanto carinho e em tanta gente que me quer bem, e fez questão de ressaltar a pessoa incrível que sou. E digo isso sem um pingo de orgulho, foi mesmo pra me completar com estima, com a certeza de que sou muito amada e de que sou especial. Nesse clima de gratidão e amor, eu continuei meu dia, indo ao mercado comprar as cositas que faltavam para fazer o meu chá de aniversário. Sim, eu convidei meus amigos em Floripa para comemorar o meu dia e a minha vida, com chás, bolos, tortas, música e jogos. Bem a la Luma mesmo, como no convite em anexo. Passei a tarde organizando a casa, o salão de festas, fazendo uma torta salgada com massa de couve-flor maravilhosa, e o famoso e melhor bolo do mundo, de cenoura com cobertura de brigadeiro. Terminei de colocar a cobertura, já tomada banho e cheirosa, às 17:55hs, sendo que havia combinado com o pessoal às 18hs. Depois disso, acendi o palo santo no salão, apertei o play no álbum A Casa é Sua, do Arnaldo Antunes e pus-me a esperar ansiosamente pelos meus convidados, que demoraram a chegar. Com os que vieram, me senti em casa, em boas companhias, conversei bastante, fiz com que eles também se sentissem em casa, brincamos, rimos, e foi bem do jeitinho calmo e agradável que imaginei. Assoprei velinhas, e até coral de parabéns rolou. Depois que eles foram embora, ainda recebi a Mayla louquinha, conversamos bastante e terminamos de comer tudo o que havia sobrado. Quando ela foi embora, eu dei uma organizada em tudo, antes de começar a responder minhas mensagens de aniversário. Gratidão foi a primeira e última palavra e sentimento do dia. GRATIDÃO!