domingo, 29 de dezembro de 2019

Como foi meu 2019

Ainda estou engolindo água da sequência de caldos que 2019 me deu. Essa é a verdade. Estou terminando esse ano sendo curada, porque toda a dor que vivi me fez ver a vida de uma perspectiva que não consigo definir de outra forma que não seja "não tenho nada a perder".
 
Comecei o ano trabalhando com o esporte que aprendi a amar, convivendo com uma família que super me acolheu desde o meu último retorno à Rondonópolis. Conquistei a oportunidade de ser coach de crossfit, personal, responsável pela área de ginástica, e estava muito feliz com tudo isso, quando apareceu a oportunidade de trabalhar com adolescentes, estimulando o protagonismo juvenil, podendo usar a arte para mudar a vida dos mesmos, aproximando-os de suas melhores versões. Foi uma decisão difícil e importante, mas resolvi mergulhar nessa nova rota, entendendo como mais próxima do que eu sonhava pra minha vida a longo prazo. Foi uma experiência totalmente nova, principalmente, por estar vivendo, pela primeira vez, o ambiente corporativo de uma grande empresa.

No início do ano eu tive, enfim, a coragem de me "casar", morar junto, e quem me conhece, sabe o tamanho desse passo pra mim. Com menos de 2 meses - não posso dizer que descobri, pois ignorei minha intuição desde o início, de que estava indo por um caminho que não era meu -, sofri a pior dor e humilhação que nunca imaginei que sentiria na vida. Colhi o que jamais plantara. Chorei nos braços do meu pai e da minha mãe como uma criança, machucada tão profundamente e acolhida por eles da mesma forma.

Como o Pai não perde o controle de nada, eu já estava planejando há um tempo o meu presente de aniversário: uma viagem com direito a tudo o que gosto de viver. Participei da Bravus Race, uma corrida de obstáculos com a qual sonhava há um bom tempo, fui à praia, conheci uma das box de crossfit que mais gosto no Brasil, vi o Cirque du Soleil e fiquei na companhia de uma família que amo muito, treinando ninja, parkour, circo, todos os dias. Estar perto de mim e de coisas que amo, me relembrou quem eu sou, o que sonhava, e onde gostaria de chegar. Foi definitivo pra tomar uma decisão segura a respeito do meu "casamento", independente, inclusive, da dor causada. Por um tempo, morei sozinha na casinha maravilhosa, com suas árvores frutíferas e seu gramado, recebendo amigos, e sendo muito feliz!

Por motivos diversos, apesar dos grandes aprendizados e amizades que fiz, decidi por sair da nova empresa, e fiquei novamente sem uma perspectiva do que faria dali pra frente. Navegando em possibilidades, encontrei um curso de formação circense, oferecido por uma companhia sensível, criativa, e maravilhosa, em Goiânia. Embarquei dessa vez, sem pensar, seguindo a voz do coração e todos os sinais divinos de que era por ali o trajeto a partir daquele momento. Me despedi de Rondonópolis pela 324ª vez, como disse uma amiga, dessa vez, com o coração partido, de deixar tantos amigos e tamanho carinho que conquistei/recebi durante o tempo que estive ali.

Goiânia está sendo uma fase dura, estou tendo que aprender a sobreviver só, emocional, financeiramente, etc. Não está sendo fácil, mas tenho crescido absurdamente. Fiz grandes amigos, aprendi a dar mortal pra trás - e inúmeros outros truques e possibilidades corporais que não me imaginava capaz -, fui acolhida por uma família de fé inigualável, e tenho vencido medos todos os dias. Foi vencendo um deles que, infelizmente, me lesionei, vivendo novamente algo que nunca imaginara. Rompi um ligamento do joelho, tive que parar de fazer o que mais amo, treinar, e, mais difícil, tive que aprender a receber mais ajuda e, muitas vezes, depender de outras pessoas - pra uma pessoa que ama ser independente, isso é de fato um grande desafio -. Foi uma frustração gigantesca, na verdade, ainda está sendo, mas, novamente, um aprendizado de igual tamanho.

Resumindo, 2019 foi um ano tipo "corredor polonês", aquela brincadeira dos tempos de escola que a galera fazia duas filas, uma de frente pra outra, e você tinha que passar no meio, tentando levar menos porrada possível. Eu levei muitas porradas, ainda sinto dor e levo algumas mágoas, pois não sou de ferro, mas sou grata por cada situação e experiência. Sei que um dia eu vou entender o valor de cada uma delas na construção da minha história. Gratidão é a palavra sempre! Pode vir, 2020, não tenho nada a perder, estou pronta pra iniciar o ano mais forte e, por incrível que pareça, com o peito aberto, na confiança de quem luta por mim e me guarda com amor inexplicável. Graças a Deus pelos ciclos!

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

(.)

Para o bem ou para o mal

Para este ou aquele, como a chuva mexe comigo
Parece existir uma relação cósmica entre a chuva, meus hormônios, meu espírito
Se sou sensível ou se sou fraca, uma coisa é certa: como me sinto conectada
Como percebo todo o funcionamento de mim mesma observando-me diariamente
Sou parte, interajo em fluxo contínuo com o cosmos
Quando o corpo pede descanso, e a alma cansa de se enganar com tantos afazeres tentando cobrir o que se quer calar
Dos olhos escorrem a vontade de gritar e correr sem parar como se pudesse alcançar o fim de tudo
O estômago reflete o vazio, enjoando desse estado, fazendo-se presente
Como se estar nesse barco há tanto tempo, de repente, cansasse
Você pensa que se acostumou, mas você só deixou de pensar
E quando você volta seus olhos para os ondas novamente, sente o enjoô de viver
O pensamento, assim como as pernas e as roupas, vão de um lado para o outro
Vestem-se e despem-se, despedem-se, se analisam, se repreendem, e no final, tudo se (...) Abraça
Como se só restasse o pó, a náusea, o cansaço e a apatia como companhias
Porque de tanto pensar, e caminhar, e tentar achar soluções, uma hora a gente desfalece
De forma bruta, furtiva e inesperada, a força se vai, o corpo perde sustentação
O último fôlego de sanidade tenta conter a desistência em vão
Entrega-se a tudo aquilo que têm se evitado e luta contra tão bravamente

Mas é certo que, com a mesma bravura, voltará a brotar no dia seguinte, como se nada lhe tivesse ocorrido
Como se não houvesse vivido toda aquela tempestade em alto mar, e se cansado de viver
(Porque viver é mesmo essa náusea e essa vontade obsessiva de se entregar ao abismo, e não o fazer)
Como se não passasse de um delírio, em um plano paralelo aos carros e à fumaça, e ao trabalho, e à loucura do cotidiano
Percebe a morte em pensamento como um respiro de viver
A chuva agora refresca-lhe a garganta, a nostalgia fazendo pairar a alma dentro de si

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

.ficou para o café


Quantas vezes eu achei que tinha encontrado o amor. E o tinha! O amor me beijou suavemente, o amor fez canções sobre mim, elogiou minha roupa, me ensinou a limpar o nariz, escreveu poesias sobre como via Deus em meus passos. Deitou na grama ao meu lado, olhando nos meus olhos, me arrebatou. O amor me inspirou e foi inspirado por minha paixão pela chuva. O amor não quis invadir uma história que não era sua, o amor me ensinou sobre rotina, e como os domingos sem planos poderiam ser os dias mais prazerosos da vida. Me ensinou a organizar as contas, e a cuidar do jardim. O amor me mostrou que de tudo eu sou capaz, posso ser o que quiser. O amor moveu o mundo e virou a cidade pra encontrar um sonho pra mim, de creme de baunilha. O amor dividia milk-shakes, enquanto ficava com a perna adormecida com todo o meu peso encima dela. O amor combinou um look peruano para arrasarmos no casamento de nossos amigos, e também quis que eu pulasse de paraquedas. O amor quis ouvir o que eu penso sobre a vida, e dividiu uma garrafa de vinho sob a luz das estrelas. O amor foi gentil, quis se apresentar para os meus pais, e até pediu a minha mão em casamento. O amor dividiu horas em ônibus, carros e aeronaves, em nossas viagens e descobertas. O amor me surpreendeu várias vezes, colocando faixas em meus olhos antes das surpresas para que eu entendesse o quanto era amada.  O amor me incluiu em seus planos, em sua família, em seu tempo, e em sua fé. O amor quis ser para sempre, outras vezes quis ser breve. O amor por tantas vezes aqui passou, deixando o cheiro suave de confusão e de esperança. Nunca se deixou pela metade, tampouco ficou mais do que podia. O amor já veio através de um olhar, e, no piscar do mesmo, se foi como brisa. O amor ficou para o café, ficou para o almoço, ficou correndo em minhas veias. Pois o amor nunca veio de fora, ele se mostrou essência minha através de outros corações. Ele despertou em mim o melhor e o pior que eu poderia ser. Mas despertou, deu força, deu vigor! Ele trouxe a mim sentido e forma, além de um otimismo bobo, que move meus olhos para cima, sem medo do que virá. O amor veio, ficou, se foi, voltou e continua aqui, a encher e esvaziar meus pulmões, permitindo-me a vida. A amanhecer em mim esse desejo de paz, de aconchego e de ação. O amor me ensina quem sou, todos os dias quando acordo. Me move a ser melhor em cada passo que dou, e tira o meu chão para que eu me lembre que não preciso ser só. O amor me fez inteira e parte de um todo no qual tenho papel fundamental. O amor faz transbordar em mim toda a vontade de que o resto do mundo se encontre, e o encontre também. O amor vem em pele e osso, vai em sorrisos e gentileza, vem em abraços, vai em expressão e poesia... O amor passa por mim, está em nós e tudo move. O amor ficou para o café, divide o tempo e olha dentro dos meus olhos.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O avesso do avexe



Se o mundo todo está do avesso, não se avexe em lutar
Se se conforma, torna mais forte o avesso e acaba por do avesso se tornar
Seja a ponta de esperança, mesmo sem nada enxergar
Pois a fé é feita dessa matéria que não podemos explicar

Não é porque o mundo todo está do avesso
Que o avesso se torna o lado certo
Tenta voltar lá no começo
E olhar nos olhos da sua criança bem de perto

Talvez ela tenha algo a dizer
De importante que você precisa lembrar
Nesses tempos de avesso ela ajuda a fortalecer
Suas ideias, pra com amor caminhar

Você não tá sozinho nessa
Logo os pontinhos de luz vai avistar
Imagina tudo esses pontinho junto
Que brilho imenso eles não podem causar?!

Eu queria continuar escrevendo
Pra te convencer a não desistir
Mas quem me olha também está contigo
Então confio e vou parar por aqui.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Sozinho, você vem?

Hoje sento só
Sinto-me bem só
E a sós escrevo sobre Ti
Sem vento, sem tempo, sem alento
O cheiro de trabalho e treino
Cheio do Sol que arde aqui pela janela
Respiro e sinto meu coração encurralado
Cansado, apertado
Clamando pra que se deixe amar
"Me deixa amar", o grito rasga o peito
Tão somente na metáfora
Enquanto o peito tão só dói
Sem ação, sem coragem

Ergo os olhos
Esperança em forma de luz e movimento
Nas folhas de um solitário coqueiro
Tão só quanto eu me sinto
Abrigo em mim todas as dores do mundo
E um viver tão profundo
Que quase não me cabe

Me acompanha quem mergulha fundo em tudo
Mas sinto romper cada fibra
Tentando segurar a mão de quem prefere o raso
De quem molha os pés e não afunda
Não ousa deixar faltar ar nos pulmões
Pra conhecer os mistérios do fundo
Do profundo de cada nós

Mergulho em mim
E agora sim, me deleito
Bato braços e pernas
E até as asas do coração se sacodem
Choro rios, e transbordo torrentes de sentimentos
Enquanto canto alto, e grito alto
E me deixo ser tocada por palavras
Eternizadas em som
De alguém que nem sequer conheci
Outro artista, profundo sofredor
Como eu

Artista que sou, não posso
Não consigo, não quero
E não vou me conformar com o raso de nada
Fui feita para o profundo
E fui tao bem ensinada a isso
Desde tao pequena
Me afogava, e não entendia nada
Mas é no profundo que encontro abrigo
Descanso e casa
Tento, em vão, mostrar-te a beleza disso
Tu que estás tão preso às coisas palpáveis
Terrenas
Fugazes

Não posso escolher a superfície
Após provar e viver a profundidade
Não posso ser rasa, e ter água nas canelas
Se todo meu ser anseia a entrega
Absoluta
Não dá pra ser metade
Depois de ter sido inteira

E por isso, então, lhe proponho
Sem julgamentos, apenas uma escolha
Tão só respire fundo,
e mergulhe comigo
Ou permaneça na superfície,
Acomodado e sozinho
Você vem?